9 de dez. de 2010

A sua chegada

Novamente acesso meus pensamentos, meus dedos que escrevem raivosos.
Mas não é raiva.
É só ansiedade costumeira.
Tenho novas ansiedades...
Findado o mês de outubro muita coisa nova começou.
E já que são novas, que nada se repita!
O fim de outubro me trouxe um novembro doce... doce novembro...
Me trouxe nova rotina, novos sabores, nova cintura.
Me trouxe novos pares de sapatos, outras escadas.
Me trouxe novos cheiros. Um novo cheiro. Com seu pescoço que me é novo.
Com seus instantes que eu desconheço.
Essa novidade que me intriga, que me instiga, que tenta me desvendar.
Um desenrolar tranquilo, uma doçura imponente.
De repente me deparo com um novo, novo demais!
Um novo completamente nunca provado!
(...)
Guardarei minhas palavras pra um momento mais oportuno.
Por agora queria dizer que gostei da sua chegada no meu mundo. Pela porta da frente.

7 de nov. de 2010

A conclusão que tiro da vida

Interessante como, às vezes, estar no mundo pode ser uma coisa vaga.
Vagamente sinto qualquer coisa ou hormônio que me possa dar uma sensação aconchegante de estar viva.
Vagamente percebo que, pra grande parte do mundo, passo despercebida.
Que, embora o poeta tenha dito que "se não houvesse eu no mundo, o mundo não seria o mesmo, porque haveria eu a menos"... não sei. Acho que se houvesse eu a menos no mundo, ele nem se daria conta.
Mas não escrevo isso com nenhum pesar, ou tristeza profunda, ou melancolia suicida.
É apenas uma constatação lúcida que faço ao entender a cada dia mais que minha existência interessa e faz diferença pra ninguém mais que a mim mesma.
Não duvido que haja uma meia dúzia de pessoas que se interessa por minhas novidades.
Mas de qualquer maneira, no dia a dia, na corriqueira atividade de existir, meus pequenos detalhes são só meus. E mesmo que houvesse alguém compartilhando da minha cama, meu teto, minha comida, todos os meus detalhes continuariam sendo meus e de mais ninguém.
É coisa minha pensar no que comi hoje, avaliar se minha garganta e minha cabeça doem e se isso é sinal de que estarei levemente gripada pela manhã.
O dia de preguiça que passei jogada no sofá, os filmes ruins que escolhi na locadora.
Essa sensação angustiante de solidão que sempre me acomete nos domingos à noite.
Todos esses detalhes de mim são meus. Apenas. E só eu vou me lembrar deles no futuro.
É essa a conclusão que tiro da vida. Podemos achar gente que compartilhe conosco gostos e momentos. Mas nascemos e viemos pra sermos sozinhos.
Ninguém nunca poderia estar aqui comigo neste exato momento, sentada à cadeira, um copo de água gelada à direita, um abajour desligado, os músculos do pescoço contraídos,uma vontade de não estar só, o silêncio barulhento da noite da cidade que me atormenta pela janela aberta.
Ninguém além de mim desfruta disso agora.

30 de out. de 2010

O que aprendi no mês de outubro

Final de outubro...
Final de tanta coisa.
No simbolismo dos finais nem sei por onde começar pra conseguir dizer sobre os ciclos que encerrei neste tempo último.
Encerrei mais um capítulo de ilusão. Um capítulo comprido que só provou que a gente tem que prestar atenção ao que se escancara aos nossos olhos. Tudo o que parece muito claro, de fato é. E não adianta fantasiar borboletas. Nunca adiantou.
Aprendi que ter esperanças é válido. Mas esperar pra sempre é derrotismo e estagnação.
No entanto, também aprendi que a esperança pode trazer coragem, auto-crítica, elucidações.
Aprendi que posso me surpreender muito (tenho treinado minha coragem de assumir minhas vontades).
Nesses tempos idos aprendi que o ser humano é confuso, perdido, dissimulado... tudo isso todos nós somos ou podemos ser, mais dia, menos dia. O que não podemos é ter conosco gente má. E dessas, devemos nos livrar.
Tenho aprendido que se deve mudar... mudar os cabelos, as unhas, o medo da dor, mudar de emprego, de ares, de lugares. E por mais que isso tudo dê medo, não compensa levá-lo em consideração. Sentí-lo sim, compensa. Compensa sentir tudo!
Aprendi que nada em mim é digno de vergonha. Que vergonha é coisa de gente infeliz.
Entendi que o mundo tá cheio de gente, de prazeres e de oportunidades escancaradas à minha frente, bastando que eu liberte meu campo energético das minhas neuroses e obsessões conservadoras, pra que ele inunde todo esse espaço de novidades deliciosas.
Eu aprendi que por onde passamos deixamos rastros. E que cabe a nós fazer desses rastros sinais bons ou ruins de nossa passagem.
Percebi que quando os sinais são bons, você recebe sempre desejos de boa sorte e sucesso pro resto da jornada. Sem contar nos "estarei aqui sempre que você precisar", que são tão bons de se ouvir.
Uma nota importante e que não pode ser deixada de lado é que o único jeito de se deixar pessoas, coisas ou lugares, é somente deixando. Nunca existirá outro jeito.
É preciso ter momentos marcantes, pra delimitar o tempo e construir a memória desses dias. Mas pra sempre, o único jeito de deixar vai ser dizendo adeus e saindo pela porta sem olhar pra trás.
É importante também, e fundamental, que não se perca muito tempo fazendo projeções de futuro. Nada disso vai acontecer. E o que vai de fato, vai chegar de maneira totalmente imprevista.
Portanto, só o que temos a fazer é entender que tudo na vida é uma fase. Que por essa fase passarão pessoas. Que você passará por elas. Que haverá muitos aprendizados. Momentos bons e ruins. Novas rotinas a serem depois modificadas e deixadas para trás.
Aprendi que é preciso aceitar com serenidade e paz o fim desses ciclos. E purificar o corpo e a alma para receber os próximos.
Por falar em corpo... acho que tenho aprendido que ele deve ser explorado e usufruído em toda a sua plenitude. Ele é nosso templo. E é sacro.
Por fim, o fim do mês de outubro.
Tenho aprendido com ele também, que não só ele se acaba, mas a vida. Tenho visto a vida minguar e se despedir diante dos meus olhos. Num movimento profundo, natural, inevitável, ininterrupto. E justamente por isso, é preciso vivê-la!
Outubro vai se despedindo, enquanto eu, à beira de um feriado, morro de calor nessa noite quente, no silêncio da penunbra do meu quarto, pensando na vida, e... de novo (como há muito tempo não se via) sem sono na madrugada!

13 de set. de 2010

Outono

Queria eu ter mais estômago e menos pureza
Pra saber lidar com gente ruim.
Ter um pingo a mais de insanidade e um quê de violência
Pra conseguir fazer desaparecer gente ruim.
Queria eu ao menos esquecer das convenções sociais, das boas regras de convívio, das pessoas certas do mundo,
E simplesmente quebrar a cara de gente ruim.
Gritar, esbravejar, puxar pelo colarinho, cospir.
A qualquer momento, em qualquer lugar.
Mas eu sou só ingênua, peito aberto demais, carga exagerada de emoção
Essa dificuldade de pensar duas vezes antes de sair abraçando...
A mania irritante de acreditar nas pessoas e esquecer do quão ruins elas podem ser.
Quisera eu ser diferente.
E voltar no tempo. Ao menos uma vez.
Hoje seria um outono alemão colorido.
Aberto a mil possibilidades.
Aberto. Ingênuo. Emotivo.
Mas ao menos seria outono. E não seria aqui.

9 de set. de 2010

Me queira!

Hoje acordei de novo com aqueles pensamentos obsessivos...
e de novo e de novo
eu penso
eu penso
Me viro, olho pro lado,
Algumas linhas,
Um copo d´água.
Eu penso
Obsecada.

12 de ago. de 2010

Atropelo

Tá tudo bem!
A cidade está azul e quente como deveria ser,
Os desafios e os vestidos seguem adiante, aumentando a ludicidade dos dias.
Até tenho feito coisas diferentes, conhecido pessoas.
Estou quase radiante.
Planejo. Ou não.
E aí me atropela uma fagulha da sua existência.
Que não necessariamente me causa desconforto.
Mas me lembra que você está por aí. Sendo.
Aí não tem jeito...
eu me lembro mesmo que te amo.

3 de ago. de 2010

A graça das coisas

As coisas do mundo são todas elas engraçadas.
Como aquela vontade de morrer só um pouquinho que dá de vez em quando.
Que logo na sequência é substituída por sopros imensos de esperança e planos e vontades e euforias...
Como as pessoas que passam sem que a gente perceba
E ao passar podem ser tudo, podem esconder tantas histórias, todos os segredos, podem trazer chatas surpresas consigo ou exatamente tudo aquilo que precisávamos.
Nunca as encontraríamos, se nunca tivéssemos, ao acaso, seguido naquela torta direção.
As coisas que planejamos têm assim, também, a sua peculiaridade. Sobretudo quando nos geram frustrações.
Nada irrita mais que as coisas que sabemos e sentimos que vão dar errado, mas que mesmo assim cavamos calejando as próprias mãos e enchendo as unhas de terra.
As coisas do mundo são todas elas engraçadas,
E esses dias malucos que trazem de cada vez essas bagunças, ah! Acho que eles também se riem de mim...