28 de set de 2009

É que sufoca
O problema não é mais quem seria
Mas a repetição.
Nas folhas caindo e seguindo e indo
Na insistência por fazer tudo igual
Mesmo quando a certeza do diferente é tão gritante
Gritante aos meus olhos, gritando meus passos
Corrigindo, cantando
E ao invés de "porque" reiterado, dar lugar à esperança anêmica
Olhos jovens a se perderem em horizontes vazios...
Na razão que leva tantas expectativas a se cansarem de esperar
Hoje é cansaço. E mais nada!

Eichstaett que aperta o peito - 31 de outubro de 2008 - 23:44

18 de set de 2009

As manhãs é que dizem como vai ser o dia.
E hoje a manhã é fria, um friozinho gostoso, melancólico
Ela lembra você, mas você não está.
Tem gosto de geléia de tamarindo: doce e azedinha no fim.
E tem pijamas gostosos azuis e cobertas por todos os lados.
E tem uma vontade louca. louca. vontades.
Então como vai ser esse dia?
Mais um dia sem você...silêncio.


Texto escrito em: Goiânia da vontade de ter você, 03/06/09 - 11:12 hs.

11 de set de 2009

De todos os codinomes que o meu lindo Fernando Pessoa tinha... Alberto Caeiro é o que me encanta mais! Sua percepção simples, doce e despretenciosa do mundo transmite a leveza de viver que todo ser humano deveria ter. Pelo menos eu queria. E é o que busco. Sentir as coisas somente. Ver e apreciar. Sem fazer nenhuma idéia sobre elas. Buscar menos teorias e mais ar puro nos pulmões.


A Espantosa Realidade das Cousas

"A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é.
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas
Hei de escrever muitos mais. Naturalmente.

Cada poema meu diz isso,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isso.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe de irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,

Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão ao ler isso;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade. "

Alberto Caeiro.



"Acho tão natural que não se pense"





(Para ler: Fernando Pessoa!)

4 de set de 2009

Eu queria ir apenas quando quisesse e sentisse vontade.
Ir quando é preciso, numa rotina desregular, me sufoca.
É o ócio o que me completa.
Comer quando se tem fome, beber quando se está com calor ou dor de cotovelo, dormir até a cama expulsar e repelir seu corpo. E ir trabalhar quando se tem vontade.
Acordar cedo só por ocasião da ansiedade ou de compromissos festivos, mas nunca com o despertador.
Se eu tive sono a tarde, me acabei de dormir. Nua e com calor. E se agora a noite o sono não me vem, mas há sempre aquela preguiça no corpo... sei lá, vou confundir a cabeça até o sono chegar.
E eu não quero ir amanhã. Porque amanhã sim, terei sono. Eu quero mais é uma vida malandra de quem é malandro. Evoluir diferente, regurgitar tendências.
Eu quero é ir a pé. Ter silêncio nos ouvidos. Abominar os palhaços e os ternos. E quando eu me estressar, eu fujo dos problemas, eu vou ao cinema, eu compro giz de cêra.
E se, ao passo disso, eu tiver sempre os meus anjos por perto, então serei feliz.