29 de jul. de 2010

O Fundo

Estou aqui sentada no chão,
Olhando pras roupas no armário
Como quem tudo enxerga e nada vê.
Não consigo absorver nada ao meu redor
A não ser minha dor de cabeça.
A não ser você com ela.
A não ser ela tomando de mim o seu sorriso.
E aqui, parada e apática, penso em como reagir ao mundo.
Parada como o segundo certeiro que determina de que lado da ponte vai cair a moedinha dos desejos que atiramos fora.
Apática como os velhinhos que observam inertes de suas janelas o movimento das ruas pela manhã.
Estico as pernas sobre a coberta de retalhos.
Eu não sei o que fazer.
Não dá pra decidir nada enquanto essas lágrimas caem.
É impossível organizar as idéias, se só o que eu consigo pensar é em como isso tudo é injsuto.
Ter que conter esse choro é mais injusto ainda.
Eu queria era dar uma de louca varrida,
Te sacudir e te gritar, te mostrar onde sangra, te pedir pra parar, pra começar...
Eu queria tanta coisa...
Mas o soluço é profundo,
E sem respirar, já nem sei mais dizer o que eu queria.
Ter você aqui agora já seria bom...
Mas eu não sei o que fazer.





*Goiânia do Fundo, de um chão qualquer, 20/05/10